5 de ago de 2013

Brasil pesquisa combustível de sorgo, arroz, capim, mandioca e até de alga

O Brasil avança em pesquisas para extrair etanol de produtos como bagaço e palha de cana, sorgo, capim, arroz, mandioca e até de alga. Mas a falta de viabilidade econômica para chegar aos tanques dos carros do país emperra a escala industrial desse tipo de etanol. A Embrapa Agroenergia é uma das empresas que detém a tecnologia para o chamado etanol de segunda geração (2G), o chamado Etanol Lignocelulósico, que pode ser obtido a partir do bagaço da cana, de capim e do sorgo. Segundo a pesquisadora Sílvia Belém, a tecnologia pode revolucionar o setor:
— Este etanol permitirá um uso muito mais racional da cana, além de permitir a produção de combustível ecológico em locais inapropriados ou proibidos para o cultivo da cana. Agora estamos pesquisando para torná-la economicamente viável — conta.
Há em andamento no país quatro projetos para desenvolver etanol usando bagaço e palha decana, em parceria com universidades, no primeiro grande movimento de união da academia com as empresas do setor, segundo a professora titular do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da UFRJ, Elba Bon. Ela coordena o Laboratório de Etanol da UFRJ, que será inaugurado no dia 29 deste mês, com investimento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) de R$ 10 milhões e de R$ 4 milhões do governo japonês.
Segundo a professora, o projeto mais adiantado é da Granbio, que recebeu R$ 600 milhões do BNDES para começar a produzir a partir desses subprodutos da cana, em Alagoas. O grupo tem convênio com a Ridesa, rede de dez universidades federais, para desenvolver novos tipos de cana. Há ainda a ETH, braço agroindustrial da Odebrecht, que firmou convênio com a UFRJ, que já produz as enzimas para produzir etanol dos restos da cana, e com a Unicamp. Elba também afirma que a Raízen, união da Shell e Cosan, está desenvolvendo sua própria tecnologia e buscando as universidades. O Centro de Tecnologia Canavieira é outro que aposta nas enzimas.
O aproveitamento dos restos da cana aumenta em mais de 40% a produtividade da planta. Com uma tonelada de cana, é possível produzir 80 litros de etanol. Aproveitando-se a biomassa da planta, extrai-se mais 35 litros de etanol.
— Esse resultado é conseguido usando 12% de bagaço e 50% da palha da cana — diz Elba.
Outro incentivo vem da proibição total de queimadas em São Paulo, em 2031, na parte em que a colheita é manual. Na colheita mecanizada, a proibição é a partir de 2021.

Segunda geração já em 2014

Além disso, a Embrapa Agroenergia estuda a produção de etanol a partir do arroz e da mandioca. O maior avanço, o chamado etanol de terceira geração, é o que está sendo pesquisado a partir de microalgas. 
— Essa frente de pesquisa pode ser revolucionária. Hoje, para cada litro de etanol obtido dacana, sobram 14 litros de resíduos, que são usados como adubo por falta de destinação melhor. Nossa ideia é usar este líquido para cultivar estas algas que gerarão combustíveis — disse Sílvia, da Embrapa.
Segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) no Brasil, a produção do etanol de segunda geração deve começar em 2014: "Mas ainda não é possível afirmar a partir de quando esse tipo de produção poderá responder por parcela importante da produção de etanol", diz a Unica, em nota.

Henrique Gomes Batista e Cássia Almeida
Fonte: O Globo / UDOP

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