6 de jul de 2012

País terá 1ª planta de biocombustível de alga

A See Algae Technology (SAT), empresa austríaca fornecedora de infraestrutura para produção industrial de algas, anuncia hoje a assinatura de um acordo com o grupo sucroalcooleiro JB, de Pernambuco, para a criação da primeira planta comercial de produção de biocombustível a partir de microalgas marinhas do país. Com investimento inicial de " 8 milhões, a SAT iniciará nos primeiros meses do ano que vem a construção da planta adjacente à usina de Vitória de Santo Antão, no Recife, no primeiro projeto do mundo com escala industrial para a fabricação desse combustível alternativo. A expectativa da companhia, sediada em Viena, é que as operações tenham início já no quarto trimestre de 2013. A unidade terá capacidade de produção de até 1,2 milhão de litros de biodiesel de algas por ano. "Estamos muito satisfeitos com essa parceria. Encontramos no Grupo JB a velocidade e vontade de inovar que precisamos nesse segmento", afirmou o diretor da SAT, Rafael Bianchini, ao Valor . Sob o contrato, a SAT vai projetar uma fazenda de microalgas e fornecer a tecnologia de produção, via sua parceira Dedini (indústria de base paulista focada em usinas) ao Grupo JB, além de supervisionar a instalação e garantir sua produtividade inicial. A joint venture também dará à SAT acesso à rede de contatos comerciais do grupo pernambucano. Para o JB, empresa familiar que começou no Nordeste com a produção de cachaças, trata-se de uma forma de diversificar e buscar novos nichos de mercado. "O negócio de açúcar e álcool está cada vez mais nas mãos dos grandes", resigna-se Carlos Beltrão, diretor-presidente do grupo, que moi, atualmente, 2 milhões de toneladas de cana por safra e conta com uma área plantada de 15 mil hectares. "Se der certo em Recife, levaremos a tecnologia para Linhares [ES]" - onde o JB tem a segunda usina de açúcar e álcool. A produção de combustíveis a partir de microalgas é uma aposta dos pesquisadores para as novas gerações de biocombustíveis limpos - não oriundos de fontes fósseis. Muitos países, Brasil incluído, debruçam-se em estudos nessa área já há algum tempo. Com rápida reprodução e boa produtividade de óleo, elas são vistas como opção plausível de alternativa ao petróleo. E ainda têm uma vantagem imbatível: não entram em conflito na disputa por terras agrícolas, questão-chave para a segurança alimentar. Para crescer e se multiplicar, algas precisam de água (o meio onde vivem), luz (para a fotossíntese) e nutrientes, como fertilizantes e CO2. Até agora, a grande dificuldade tem sido baratear o alto custo de produção. Especulações recentes do mercado jogavam o preço do litro a R$ 20, graças ao processo de concentração, separação e secagem desses vegetais, que exigem peças caras e com alto consumo de energia. Com as novas tecnologias apresentadas pela empresa austríaca, o preço do biocombustível na usina será similar ao do etanol de cana - entre R$ 0,80 e R$ 1 o litro, diz a SAT. Isso porque algumas mudanças importantes foram feitas. A primeira foi trocar a produção em lagoas a céu aberto para espécies de "silos" de até cinco metros. A vantagem desse processo é que evita-se a contaminação da produção, já que não há interferência do ambiente externo. A segunda, e mais significativa, é a melhor distribuição da iluminação para a reprodução das algas. "Nas lagoas, apenas as microalgas que estão na superfície recebem o sol. As que estão um pouco mais abaixo ficam competindo por luz e nutrientes, o que reduz a produtividade", diz Bianchini. O pulo do gato, diz o executivo, foi o desenvolvimento de um prisma solar que transfere a luz do sol para os reatores (silos) através de fibras óticas. Com isso, os silos são iluminados por dentro de alto a baixo. Além disso, são ligados através de tubulações à chaminé da usina da JP, por onde passa o CO2 gerado na queima do bagaço da cana. "O custo de energia, alto em outros processos, será zero porque nossa matéria-prima será o sol e o CO2 ". Segundo o diretor da SAT, cerca de 50% das algas resultam em óleo para biocombustíveis e a outra metade em biomassa. Por ser proteica, essa biomassa é utilizada como substituição para a soja na alimentação de rebanhos na pecuária e na criação de peixes. Ainda segundo Bianchini, em um segundo momento a planta poderá ser utilizada também para produzir bioetanol a partir de algas geneticamente modificadas. Para isso, no entanto, ainda é preciso obter validação da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Fontes: UDOP e Valor Econômico

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