17 de out de 2013

Usina italiana vai produzir 75 milhões de litros de etanol com bagaço e palha



A Itália inaugurou há uma semana uma usina para a fabricação de etanol a partir de palha de arroz e de trigo. A fábrica também está usando uma espécie de cana encontrado na região, conhecido como cana-do-reino ou cana gigante. Serão 75 milhões de litros do combustível por ano.

Ocupando uma área de 15 hectares, a usina, que já está em funcionamento, é a primeira do mundo a produzir comercialmente o chamado etanol celulósico ou etanol de segunda geração, que usa resíduos da agricultura como matéria-prima e pode transformar o mercado de biocombustíveis.

Usando a tecnologia de segunda geração para extrair etanol também do bagaço de cana, por exemplo, o Brasil poderia aumentar sua produção do combustível em 30% sem plantar um único pé de cana a mais, de acordo com cálculo do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira).


Produção vai usar cerca de 270 mil toneladas de matéria-prima por ano

A nova usina está localizada na cidade de Crescentino, no norte da Itália. Ela pertence à Beta Renewables, nascida de uma parceira entre a Biochemtex, do grupo italiano Mossi Ghisolfi, o fundo americano TPG (Texas Pacific Group) e a Novozymes, empresa de origem dinamarquesa que também atua no Brasil. 

A unidade tem capacidade para produzir 75 milhões de litros do combustível por ano --uma usina convencional brasileira produz de 100 milhões a 200 milhões de litros anuais-- e deve consumir cerca de 270 mil toneladas de matéria-prima por ano.

Segundo a Beta Renewables, a tecnologia utilizada pela unidade foi desenvolvida a um custo de US$ 200 milhões (R$ 437,5 milhões).

O plano é que o etanol seja misturado ao combustível fóssil para abastecer os carros europeus. Na Europa, o etanol pode ser misturado numa proporção de até 10% do volume da gasolina; no Brasil, o percentual de etanol na gasolina é de 25%.

Em até 18 meses, o parlamento europeu deverá votar um projeto para instituir, até 2030, a mistura de 2,5% de etanol no combustível que circula na União Europeia.


Usina em Alagoas com mesmo tipo de tecnologia será inaugurada em 2014

Para a pesquisadora da Embrapa Agroenergia Cristina Machado, a nova usina italiana tem um grande significado para o setor. "Uma usina dessas funcionando bem e dando lucro servirá como incentivo a outras empresas investirem também, e será um local onde os avanços em laboratório poderão ser validados". 

A mesma tecnologia estará presente em uma usina que deverá ser inaugurada no ano que vem em Alagoas. A unidade, da empresa GranBio, terá investimento de R$ 300 milhões e capacidade de produção de 82 milhões de litros de etanol celulósico por ano, usando o bagaço da cana como matéria-prima.



Etanol de segunda geração leva mais tempo para ser produzido

Tanto o etanol comum quanto o de segunda geração têm origem no açúcar. A diferença é que, enquanto o primeiro vem de açúcares mais simples, que podem ser encontrados em abundância na garapa da cana, por exemplo, o de segunda geração vem da celulose. Essa substância também é um açúcar, mas de um tipo mais complexo e pode ser encontrado em qualquer planta, em partes como as folhas e o caule. 

Por ser mais complexa, a celulose precisa ser separada do resto da planta e depois ainda quebrada em partes menores, o que adiciona duas etapas ao processo de produção de etanol e o torna mais demorado. "Só uma das etapas dura de 8 a 12 horas, que é o tempo do processo inteiro da produção de etanol de primeira geração", afirma Cristina Machado, da Embrapa.

O primeiro passo da produção do etanol de segunda geração é separar a celulose do material que dá a firmeza e a estrutura das plantas, a lignina.

Isso é feito num tanque fechado chamado de reator, em que o bagaço e a palha cozinham em alta pressão sob temperaturas de 180°C a 240°C. Depois disso, o material é colocado rapidamente em temperatura e pressão normais. Na usina de Crescentino, a queima da lignina produz a energia para o funcionamento das máquinas.

Depois disso, a celulose entra em contato com enzimas, substâncias que agem como tesouras e picam as moléculas de celulose em outras menores, chamadas de glicose.

No caso da usina italiana, as enzimas são fornecidas pela Novozymes. A glicose vai para um tanque de fermentação, onde fungos a transformam em álcool.


Mais informações/fonte: NovaCana

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