26 de mar de 2012

Atrasos em inovação no Brasil preocupam especialistas

Segundo relatório da WWF, o único destaque é a tecnologia do etanol. Fonte: Valor Econômico

Apesar de ser a sexta economia do mundo, nação da riqueza em recursos naturais e protagonista no debate global sobre sustentabilidade, o Brasil está atrasado na busca por inovação, ocupando o 47º lugar no ranking "The Global Inovation Index 2011", do The Business School of the World (Insead). Condição semelhante foi apresentada na última avaliação da Economist Intelligence Unit, área de pesquisa do grupo "The Economist" que afere investimentos em patentes e adoção de novas tecnologias nos negócios. Nela, o país nem aparece na lista dos 26 que mais se destacam. "Empresas que inovam no Brasil acabam registrando patentes apenas no exterior por conta dos problemas internos com burocracia e demora", avalia o professor Jacques Marcovitch, da Faculdade de Economia e Administração da USP. "Os pedidos de registro relativos à sustentabilidade não têm tratamento diferenciado e entram na fila junto com todas as demais tecnologias." Além disso, diz ele, "falta um sistema eficiente e relevante de métrica, capaz de gerar indicadores mais confiáveis para os investimentos em áreas de inovação, como uso de energia e redução de resíduos". O desafio é incorporar o tema nos balanços financeiros das empresas. O cenário está ligado à Rio +20, o encontro que a Organização das Nações Unidas (ONU) realizará em junho no Rio de Janeiro para o debate sobre os rumos da economia verde. "A situação brasileira é preocupante, porque o governo não incluiu nenhum item de sustentabilidade nas recentes medidas para reverter o processo de desindustrialização", adverte o economista Ricardo Abramovay, também da USP. Ele vê riscos para a competitividade do Brasil lá fora. "Quando a crise bateu à porta dos EUA, uma das providências foi forçar desempenho dos motores na indústria automobilística", lembra o analista. Recente estudo da organização ambientalista WWF coloca o país em 25º lugar em economia verde, tendo como único destaque a tecnologia do etanol. "Precisamos de inovação, mas principalmente de limites", enfatiza o economista, para quem o mundo evolui no combate à pobreza, mas não descobriu como produzir mais com menos recursos e energia. Ele cita o relatório da consultoria KPMG, lançado neste ano, mostrando que a produção global de hoje consome 50% mais recursos materiais e emite quase o dobro de carbono por dólar gerado em comparação a 1992. "A inovação sozinha não é capaz de compensar essa defasagem", afirma Abramovay, lembrando que qualquer avanço precisa passar pela redução da desigualdade. (SA) Fonte: CTBE

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